quarta-feira, 28 de outubro de 2009

AO PARQUE RENÉ THIOLLIER RESTA APENAS A EXISTÊNCIA



AO PARQUE RENÉ THIOLLIER
RESTA APENAS
A EXISTÊNCIA


A pedido de Dona Stella Maria de Mendonça e de Elizabeth Cecília Malfatti; resolvi deixar claro meu pensamento, no que se refere aos bens culturais e monumentos arquitetônicos que deveriam ser preservados para a cultura de povo paulistano.
É tradicional neste logradouro derrubar o antigo para erguer o novo, sempre mais monumental que o seu antecedente.
Aos olhos do leigo nada se perdeu e sim o melhor, o novo o limpo se ergueu. Mas os antigos costumes foram se esvaecendo no passado recente e os valores deixados para o total esquecimento e nós vamos-nos formando como um povo sem a tradição como alicerce sólido para sustentar tudo o que está no porvir. Povo sem tradição!
Então pessoas ligadas aos bens de valores culturais ficam abismadas com o total desleixo daqueles que deveriam zelar por esses bens.
Eu sou uma destas pessoas, tanto que em 1984 publiquei a obra intitulada São Paulo de Piratininga, em formato de álbum que serviu para surpreender a todos aqueles que de alguma forma cultuavam a velha São Paulo dos idos de l800.
Lembro do Professor Pietro Maria Bardi, que se referindo a obra, afirmara:
“Mas que bela lembrança de São Paulo caro Líbano”, no mesmo momento em que me convidava para deixar alguns dos exemplares em exposição no Masp para aqueles que visitassem o museu.
Meu pai sempre lamentava o fato de o paulistano não dar a devida atenção ao seu passado, dizia também que o progresso poderia ter dado a volta e não se sobrepor ao passado inocente.
Colecionamos toda uma biblioteca “Paulistica”, ainda em nosso poder, para pesquisar e para deleite de nossos familiares, tanto que ainda hoje sou, também, um artista iconografista especializado em São Paulo.
É tão tradicional, o gosto pelas coisas de São Paulo que mantenho em minha residência uma sala para abrigar objetos, quadros, medalhas, livros, gravuras, etc. em homenagem a minha querida cidade, onde nasci São Paulo.
Meu pai, o afamado livreiro Líbano Calil, afirmou ainda, com muita sabedoria, quando se referia a atual São Paulo, “logo aqui se constrói outra”.
O Dr. Alexandre Thiollier foi um de meus primeiros clientes quando então eu tinha ainda dezesseis anos e já dirigia em nome de meu pai a editora, Ementário Forense em São Paulo e que tinha sede na cidade do Rio de Janeiro.
Eu vi a casa erguida na Avenida Paulista na época em que por ali bem no centro da via ainda passava os bondes. Conheço bem o Renato Franco de Mello e seu esforço para manter em pé o casarão de seu pai. Eu mesmo opinei a ele que deveria ceder o terreno a um parque de estacionamento para poder fazer frente aos impostos e não perder a propriedade.
Conheço bem o terreno não tenho dúvidas que é importante aos paulistanos de ontem, hoje e de amanhã e que nunca é tarde para se preservar.
Desta feita o nome de René Thiollier a quem Dona Tarsila se referiu, em uma conversa comigo, com muita gratidão e respeito. “Ele patrocinou a Semana de Arte Moderna de l922”, afirmara ela.
Todos os brasileiros logo em seus primeiros meses de aula, na escola, aprendem sobre o evento no teatro Municipal. Ouvem falar dos artistas, mas o nome de Thiollier fica no esquecimento. Não pode isso continuar.
Quero salientar que eu conheço o prefeito Kassab e sei que fará o possível para reverter o nome do Parque para o de René Thiollier, o modernista.
Aguardemos.


Líbano Montesanti Calil Atallah
Professor


A REVISTA É UM ORGÃO DA
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Líbano Montesanti Calil Atallah